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O
Shofar
O
Shofar é um instrumento de vento feito de chifre de carneiro. Porém,
para nós, ele não é um instrumento “musical”.
O fato de ser um chifre de carneiro faz alusão àquele
sacrificado por Abraão em lugar de seu filho Isaac (tal como
lemos na Torá no segundo dia de Rosh Hashaná – Gênesis
22:1-19), lembrando-nos a plena e incondicional disposição de
Abraão para com D´us de até sacrificar seu único filho nascido
na velhice. Ele tem um profundo significado, chamando à reflexão
e ao arrependimento. Também é um apelo para nos proteger e
despertar a misericórdia de D´us, ao menos pelo mérito de nosso
pai Abraão.
Usualmente feito de um chifre de carneiro selvagem, um shofar também
pode ser feito com chifres de outros animais, inclusive de bode ou
carneiro domesticado. Nos tempos bíblicos, o shofar era tocado
para anunciar um evento importante, como um alarme de guerra e a
chegada da paz.
Diz-se que o Grande Shofar foi soado durante o maior dos eventos
de toda a história judaica, a outorga dos Dez Mandamentos a Moisés
no Monte Sinai (Shavuot). O toque do Shofar é o único mandamento
específico para Rosh Hashaná. Assim como os corneteiros
anunciavam a presença do seu rei mortal, o Shofar é usado pelos
judeus para proclamar a coroação do Rei dos Reis.O chifre de
carneiro é soado 100 vezes. É um símbolo apropriado, pois
lembra aos judeus de todas as partes a disposição de Abraão em
sacrificar seu filho, Isac, para cumprir a ordem de D´us. No último
momento, D´us ordenou a Abraão que trocasse Isac por um cordeiro
sacrificial.
Existem três sons diferentes do Shofar:
1-
Tekiá: é um som comprido e uniforme
2- Shevarin: é um som entrecortado em três partes
3- Teruá: é um som dividido em nove partes.
Cada
vez que fazemos soar o Shofar, devemos tocar esses três sons.
Estes sons, transmitidos de geração em geração, assemelham-se
ao choro de uma criança perdida que clama chamando o pai.
Simbolizando o nosso arrependimento por termos nos afastado de D´us
– nosso Pai.
Também toca-se a conhecida Tkiá Guedolá, que é um toque longo.
Este faz alusão à promessa divina de que chegará o Grande Dia,
no qual seremos redimidos e, chamados por um toque de Shofar,
retornaremos junto Mashíach à Terra de Israel. “E nesse dia se
tocará com um grande Shofar, e voltarão os perdidos da terra de
Assíria e os desterrados da terra do Egito se ajoelharão a D´us
no Sagrado Monte, em Jerusalém” (Isaías 27:13).
Cada vez que saíam para a batalha contra um inimigo perigoso, os
judeus tocavam o Shofar. Assim, quando ouvimos o Shofar nos dias
de Rosh Hashaná, devemos sentir que estamos travando uma batalha
contra nosso perigoso inimigo interior, que todos temos dentro de
nós.
A primeira vez que encontramos o Shofar mencionado na Torá foi na
hora da entrega desta por D´us ao povo judeu. Por isto, o Shofar
que ouvimos em Rosh Hashaná também nos lembra da aceitação da
Torá e suas leis.
Um outro sentido no toque do Shofar é o de coroar D´us como Rei
do Universo, assim como se coroa um rei humano.
Durante o mês de Elul (último do calendário judaico), no fim da
reza de shacharit, costumamos tocá-lo como parte de nosso preparo
para os Iamim Noraim, quando toda a humanidade é julgada. Somente
na véspera de Rosh Hashaná não tocamos o Shofar, para fazer a
separação entre os toques que são costume e aqueles obrigatórios.
Maimônides alude a estes toques como uma trombeta que vem nos
acordar do sono: “Acordem-se os adormecidos de seu sono, e os
que estão num sono profundo despertem de sua hibernação;
revejam os seus atos e voltem em Teshuvá e lembrem-se do seu
Criador” (Hilchot Teshuvá cap. 3, lei 4).
Nos dias de Rosh Hashaná, cada judeu deve ouvir os sons do Shofar.
No mínimo os 30 primeiros toques. Cabe esclarecer que em Rosh
Hashanánós tocamos um total de 100 toques.
O toque comprido que ouvimos no fim de Iom Kipur representa o fim
deste dia.
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